sexta-feira, 18 de julho de 2014

Os "Mestres" da Jardinagem

A sala da Jardinagem no Centro de Atividades Ocupacionais é um espaço que funciona por grupos, de forma rotativa e sequencial, e que é orientado desde a sua criação pela monitora Sandra Honório. Em cada dia esta sala é frequentada por um grupo de jovens distinto, que procuram explorar os seus dotes na jardinagem, ao mesmo tempo que melhoram continuamente a sua destreza e habilidade manual.




Neste espaço desenvolvem-se diariamente diferentes atividades lúdicas, cuja maior parte é realizada em conjunto com os formandos de Jardinagem da valência CRP, adequando-se sempre às capacidades dos grupos que frequentam a sala da Jardinagem no CAO. As atividades vão desde o tratamento da hortinha biológica e espaços verdes, através da rega, poda, remoção de ervas daninhas, corte da relva, manutenção dos canteiros, elaboração de caldeiras, sementeira, etc., até ao processo de compostagem, do qual resulta um composto que é depois vendido ou utilizado nas próprias plantas.

Para a realização do processo de compostagem os vários intervenientes, tanto do CAO como do CRP, recolhem borras de café em vários cafés de Tomar que se ofereceram para as disponibilizar gratuitamente.







Para além disto é ainda da responsabilidade dos utentes que passam pela sala da Jardinagem e dos formandos do CRP nesta mesma área a elaboração de estacas de plantas, a manutenção dos canteiros de interior e a realização de vendas dos produtos provenientes da horta, flores e composto, normalmente em épocas do ano específicas, como por exemplo o Dia da Árvore.

Covém salientar que alguns dos utentes desta sala e dos formandos de Jardinagem do CRP já estiveram envolvidos na apanha de frutas, de que são exemplo as ameixas e as laranjas, em propriedades de pessoas que não conseguem consumir todos os frutos sozinhos e como tal oferecem-nos ao CIRE, sob a condição de sermos nós a ir apanhá-los.

Com algumas da laranjas apanhadas, pudémos fazer alguns licores tendo este fruto por base, para serem comercializados na "Feira da Laranja Conventual" .

Já tivemos ainda a oportunidade de realizar a apanha da azeitona nas oliveiras que temos na nossa instituição e produzir algum azeite muito saboroso.

De facto esta é uma sala que oferece a todos os utentes que a frequentam um equilíbrio entre as atividades de exterior e as de interior, que normalmente estão reservadas para quando esta muito calor ou mau tempo para andar ao ar livre. 

Dito isto, importa referir que também as atividades de interior são variadas e extremante lúdicas, podendo os utentes dedicar-se a: criar bijuteria (ex: fios, pulseiras, aneis) recorrendo à massa fimo, missangas, feltro, elásticos e/ou tecidos; fazer pequenos trabalhos de artesanato (ex: carteirinhas de tecido); fazer maçarocas de alfazema, que mais não são do que cheirinhos para meter nas gavetas e que têm tido um enorme sucesso; acompanhar o processo de secagem e colocação dentro de carteirinhas das sementes de salsa e de coentros para mais tarde poderem ser semeadas; fazer reciclagem de garrafas e garrafões tornando-os vasos, regadores ou até mesmo flores decorativas, através da reutilização cri ativa de vários objetos velhos que têm à sua disposição.







[Num pequeno à parte é conveniente fazer alusão ao enorme interesse que cada vez mais é demonstrado pelos utentes face às diversas técnicas de reciclagem e que poderá estar a ser despoletado sobretudo pelo facto destes por vezes frequentarem sessões de esclarecimento e debates sobre esta temática.]

adequação das tarefas às necessidades de cada um (na jardinagem, por exemplo, alguns dos utentes mais dependentes limitam-se a segurar os baldes, mas já estão a ajudar), ao facto de ser um trabalho tanto de interior como de exterior e de poderem lidar com alguns dos formados do CRP, são as forças motrizes para que os utentes gostem de frequentar a sala da Jardinagem, se sintam motivados e se mexam

Mas, o que é certo é que para a realização de todas atividades de uma forma correta e ordenada é imprescindível a presença de uma monitora paciente mas com "pulso firme", focada na passagem diária dos seus conhecimentos aos utentes, com o intuito dos mesmos continuarem a evoluir e a desabrochar de uma forma benéfica para eles. 



A monitora Sandra Honório está ligada ao CIRE desde os seus 20 anos (1995), altura em que começou a voluntariar na Instituição pois queria ir para África no âmbito do Projeto de Desenvolvimento Integrado de Tomar (PDIT) e foi-lhe exigido que cumprisse um ano de voluntariado cá em Portugal antes de poder "embarcar" nessa aventura. E assim foi, a atual monitora Sandra cumpriu o seu ano de voluntariado no CIRE (apesar de incialmente lhe ter calhado o Centro de Assistência da Serra e só através de uma troca direta com outra voluntaria ter vindo parar ao CIRE) durante o qual, a pedido da Dr. Helena Santos, desenvolveu sobretudo trabalhos relacionados com jardinagem, uma vez que possuia formação na área Agrícola.

No ano 1996 surgiu a oportunidade da Sandra assinar um contrato a meio termo com o CIRE, para desempenhar funções semelhantes às que desempenhou durante o seu ano de voluntariado. Chegada a este ponto a monitora Sandra ficou muito dividida e perguntou-se a si mesma vezes sem conta "Vou para África ou fico aqui?". A resposta final foi "Fico aqui!" e essa mesma reposta surgiu sobretudo pelo facto de ter adorado a sua experiência de voluntariado e de ter sido cativada pelos utentes.

Desde a sua entrada para o CIRE a monitora Sandra esteve sempre ligada à sala da Jardinagem, mas também já esteve responsável pelo acompanhamento de alguns dos utentes ao nível do seu transporte para a escola e para as respetivas casas (quer na carrinha do CIRE quer nos autocarros da rodoviária), pelo acompanhamento dos utentes nas sessões de hidroterapia e pela vigilância dos intervalos dos utentes.


Durante os últimos 19 anos a monitora Sandra adoptou sempre a postura de fazer pelos seus utentes exatemente o mesmo que faria pelos seus próprios filhos, "aplaudindo" as suas conquistas e mimando-os com beijos e carinhos, mas também chamando a atenção quando estão errados, fazendo com que se tornem capazes de distinguir o bem do mal. 


A monitora Sandra não se cansa de dizer que "Simplesmente, gosto muito disto. Estes meninos podem não ter tudo, mas têm uma sensibilidade acima da média. No final de cada dia levamos muito mais daqui do que aquilo que cá deixamos. Saímos de coração cheio!".


Apesar de tratar todos os utentes com um enorme carinho e dedicação, a monitora Sandra Honório possui uma afeição especial pelo utente Márinho, por ser um menino pelo qual já ficou responsável vários anos no âmbito das colónia de férias, e pela utente Clara que a considera como sendo a sua segunda "mãe".

Esta utente teve o infortúnio de perder a sua mãe biológica e vê na monitora Sandra uma figura maternal e uma confidente, não só pela forma atenciosa como lida com cada um dos utentes, mas também pelos seus pequenos gestos plenos de significado dos quais é um bom exemplo o facto da mesma oferecer sempre uma flor à Clara no Dia da Mãe para que  esta possa ir colocar à campa da mãe.

A sua entrega, dedicação e amor pelos utentes  e pelo que faz são evidentes, espelhando-se diariamente em todo o trabalho realizado pelos utentes que frequentam a sala da Jardinagem do Centro de Atividades Ocupacionais.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Muitas e Boas Recordações

As auxiliares Ana Paula Brito e Eugénia Lopes terminam no próximo dia 17 de julho as suas funções na nossa instituição, que tiveram a duração de um ano e foram desempenhadas através Centro de Emprego.



A entrada para a nossa instiruição representou, tanto a D. Paula como a D. Eugénia, a entrada para um "universo desconhecido", uma vez que nunca nas suas experiências profissionais passadas haviam feito nada semelhante. Como tal, o inicio desta relação laboral foi extremamente difícil, desafiador e sobretudo fora da zona de conforto de ambas.

Todavia, com o passar do tempo, foram tomando o gosto por aquela que era a realidade diária do CIRE e foram-se afeiçoando a cada utente sem olhar às suas limitações ou condições. Claro está que o apoio e os ensinamentos feitos por parte das vigilantes Sofia Lopes (CAO 1) e Susana Gaspar (CAO 2) foram imprescindíveis para que a D. Paula e a D. Eugénia se pudessem "ambientar" e "moldar" mais facilmente a esta nova realidade que as acompanhou durante este último ano.

Ambas as auxíliares tiveram ao longo da sua passagem pelo CIRE a oportunidade de lidarem de perto com duas das salas mais complexas da nossa instituição (Ana Paula Brito - CAO 1 | Eugénia Lopes - CAO 2) e que exigiram delas uma enorme preparação fisica e sobretudo psicológica para o desempenho das atividades que diariamente tinham que ser realizadas nestes espaços e que iam desde a mudança de fraldas, banhos, medicação, limpeza da sala, higiene pessoal dos utentes até à própria alimentação dos mesmos.




Tanto a sala CAO 1 como a sala CAO 2 são frequentadas por utentes que possuem um elevado grau de dependência e que têm necessidades muito especificas que foram respondidas da melhor forma possível durante este último ano pelo enorme empenho e dedicação das vigilantes Sofia Lopes (CAO 1) e Susana Gaspar (CAO 2) juntamente com as suas ajudantes Ana Paula Brito e Eugénia Lopes que tudo fizeram para promover a criação de condições para uma melhor qualidade de vida dos utentes, sempre dentro do possível.

Contudo, quando a auxíliar Ana Paula Brito chegou à nossa instituição não foi de imediato colocada na sala CAO 1, tendo antes passado 2 meses na cozinha onde auxiliava na confeção dos almoços, os levava para a valência  ASE, ajudava a servi-los e limpava a cozinha. Posteriormente, por uma questão de logística dos recursos humanos, a D. Paula transitou para a sala CAO 1 onde permaneceu os últimos 8 meses e desempenhou com profissionalismo todas as atividades inerentes a esta sala. 

Mas as funções da D. Paula não se ficavam por aqui: das 08h00 às 08h30, juntamente com a vigilante Sofia Lopes, recebia os utentes que chegavam do autocarro e da carrinha; das  08h30 às 09h00 efetuava a limpeza e desinfeção de algumas salas; das 09h00 às 16h00 permanecia na sala CAO 1; das 16h00 às 17h00 voltava a efetuar desinfeção da sala CAO 1 e ajudava ainda na limpeza de outras salas.  

Por sua vez, a auxiliar Eugénia Lopes, para além de prestar auxílio na sala CAO 2 (14h00 - 16h00) era ainda responsável pelo acompanhamento dos utentes aquando do seu transporte para a instituição e para as respetivas casas. Neste âmbito a D. Eugénia cumpria dois turnos distintos, um de manhã (07h00 - 10h00) e outro à tarde (16h00 - 19h00). Cabia ainda à D. Eugénia a supervisão de alguns dos intervalos dos utentes.



O profissionalismo, entrega, dedicação e carinho para com todos os utentes da nossa instituição são realmente dignos de reconhecimento e facilmente observáveis na enorme cumplicidade foi sendo criada entre estas duas auxiliares e os mesmos. Estão ambas de parabéns pela forma disciplinada como desempenharam as funções que lhes foram incumbidas e o CIRE deseja-lhes a maior sorte para o seu futuro profissional, porque são merecedoras. Bem hajam!



TESTEMUNHOS


"O que eu aqui aprendi devo sobretudo à D. Sofia e gostei  muito de trabalhar com ela pois sei que foi ela que me preparou para esta dura realidade. (...) Os meninos cativaram-me muito e tenho consciência de que levo daqui uma grande lição de vida e de que muita gente devia de passar nem que fosse um dia na sala CAO 1 para ficar a conhecer a dura realidade que está por detrás daquela porta.(...) Afeiçoei-me a qualquer um dos meninos e levo daqui recordações de todas as vezes em que o Manuel Caetano me chamou de "Paulinha", "Pauluxa", etc.. (...) O Néné é "o meu menino", tive uma relação muito próxima com ele e ele gostava muito quando eu o penteava. (...) O Jorginho, tal como todos os outros, precisa sempre de muitos cuidados. (...) Quando via o Pedro a começar a chorar sem perceber o motivo também eu me comovia por não conseguir entender o que é que o estava a pôr daquela maneira. (...) O Nuninho só tem o que nós lhe fazemos e só diz "mãe" e "Nuno, Nuno, Nuno".(...) O Márinho é um querido menino. (...).  Gostei muito de ter tido a oportunidade de trabalhar no CIRE e agora sei que foi uma experiência muito boa e muito difernte daquilo que fui fazendo ao longo da minha vida. Gostei muito de poder lidar com todas as monitoras, todos os técnicos e demais colaboradores, tanto da valência CAO como da valência ASE, e agradeço por tudo aquilo que me ensinaram. Agradeço ainda à Direção do CIRE pela forma como me recebeu na sua instituição."

Ana Paula Brito

"Quando a Paula aqui chegou à sala CAO 1 os cheiros faziam-lhe muita confusão e eu disse-lhe que lhe ia custar a habituar-se, mas que ainda lhe ia custar mais quando chegasse a hora de ir embora. Estes meninos marcam-nos muito e afeiçoamo-nos muito a eles. (...) Gostei muito de trabalhar com a Paula porque ela foi uma companheira sempre muito prestável, que esteve sempre pronta para tudo e que "construiu" uma grande cumplicidade com utentes desta sala."

Sofia Lopes (vigilante CAO 1)


"Nunca tinha trabalhado na área e para mim foi muito dificil e desafiador entrar no CIRE, pois era uma realidade totalmente fora da minha zona de conforto. Hoje em dia sei que foi tão difícil "pegar" como esta a ser "largar".(...) Gostei muito de todos os meninos e colaboradores. (...) Foi uma experiência muito boa e vai-me custar muito ir embora porque me apeguei muito a todos. (...) Gostei muito de ter a oportunidade de trabalhar no CIRE e levo daqui muitas e boas recordações: os meninos são muito queridos e nunca me hei-de esquecer deles."

Eugénia Lopes

"A D. Eugénia é 5 estrelas e foi, sem dúvida, muito bom trabalhar com ela."

 Susana Gaspar (vigilante CAO 2)

Passeio à Praia da Nazaré

No dia 15 de julho de 2014 alguns dos nossos utentes foram passear até à Praia da Nazaré, onde puderam tomar uns belos banhos de sol, fazer construções na areia e comer gelados deliciosos. Foi um dia cheio de diversão e boa disposição.



Alguns dos utentes e colaboradores da valência Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) deslocaram-se no dia 15 de julho até à Praia da Nazaré com o objetivo de desfrutarem de um dia de praia e de fazer uma atividade que fugisse às suas rotinas diárias.

Durante este dia  houve tempo para muitos banhos de sol, sempre supervisionados pelos responsáveis e intercalados com períodos de sombra, mas também para fazer algumas construções na areia.






















À hora do almoço comemos o "farnel" que vinha preparado da escola ou de casa e convivemos mais um pouco.

Depois de almoço alguns dos grupos decidiram ir dar uma volta pela vila da Nazaré e tomar um cafézinho ou comer um gelado nas esplanadas que tinham à disposição.












Após um belíssimo dia de praia, acompanhado por um excelente tempo e por uma ótima companhia, todos embarcámos no autocarro para voltarmos para a nossa cidade, tomarmos uma banhoca e termos o merecido descanso depois de um dia tão divertido.